O que muito se pensa hoje é que, o parto é uma "coisa" inevitável, que toda mulher gravida tem que passar, varias passam por isso, e pronto. Cada parto é só mais um parto, não é visto nem tratado com o respeito de ser realmente aquele "único parto" para a mãe e o bebê.
Como contei no post anterior, cheguei ao Hospital e, só após 40 minutos de ter dado entrada é que o medico veio me avaliar. Para minha surpresa, o medico que estava de Plantão nesse dia, era o mesmo que havia feito minha consulta na Sexta-Feira, então já o conhecia, isso me deixou mais a vontade.
Ele fez o Exame de Toque, constatou que já estava com 4 cms de dilatação, então mandou me internar.
Bom, dali em diante é tanta “coisinha”, por vezes a memoria embasa, ora pela ansiedade, ora pela dor, ora pelo medo do desconhecido, medo do que está por vir e ainda não sabemos como é.
Estava com meu marido, mas os dois estávamos sozinhos, você não tem com quem tirar duvidas, pois todos estão correndo e “ocupados demais para te doar uns sagrados minutos”, colocaram analgesia e estouraram minha bolsa, para acelerar o parto.
Colocaram um aparelhinho para controlar as pulsações do bebê e, ali fiquei o resto da madrugada, naquele lugar estranho, cheio de gente indo e vindo, se olhava para a cara do meu marido era visível o “desespero ou medo” dele, não sei ao certo, mas ele estava pálido e tenso, isso não me trouxe muito alivio, vi que ali todo o esforço seria meu mesmo e só eu poderia fazer todo aquele trabalho, não havia forma de delegar “um pouquinho do serviço” (rsrsrs).
Acredito que por volta de umas 08:05 ou 08: 10 hs (nesse momento a memoria embasa e não tenho mais noção do tempo) sinto uma pressão estranha e peço para meu marido chamar uma enfermeira.
Ela avaliou e saiu mais rápido que correndo, logo veio um montão de pessoas e foram me levando, naquele momento meu desespero me levou a cogitar um jeito de sair dali, serio, na primeira gestação, no primeiro parto, o medo do “não saber como é”, me deixou desconsertada, pelo menos foi assim comigo.
O que irei relatar a seguir aconteceu em instantes (eternos para mim), me posicionaram, deitada com as pernas estendidas para cima e dobradas, como ficamos nas consultas ginecológicas nas quais fazemos o exame de Papanicolau, tinha um anestesista ao meu lado direito (muito grosso e estupido por sinal), do lado esquerdo se posicionaram duas enfermeiras, no meio das minhas pernas se encontrava o Obstetra que começou a me espetar com um agulha, eu sinceramente não entendia o porquê, reclamei com um: -“Ai!”, ele me perguntava se ainda sentia e me espetava de novo, acho que ele não acreditava que eu ainda poderia estar sentindo e me perguntou novamente: -“O que estou espetando?”, imaginem o que me deu vontade de responder, mas meus princípios de educação me fizeram responder: -“UMA AGULHA”, então colocaram mais anestesia no local. Eu não sabia, não me perguntaram e nem me informaram, mas estavam me preparando para fazer uma Episiotomia (corte entre a vagina e o anus).
Quando o inevitável empurra-empurra instintivo começou, um enfermeiro surgiu do meu lado direito, montou no meu tórax e começou a empurrar com força minha barriga para baixo, foi uma loucura, tudo muito confuso para mim, muito assustador, de verdade (foi minha experiência não quer dizer que você se sentirá assim, minha mãe teve cinco filhos assim e não reclamou de nada), mas nesses momentos minha preocupação foi minha maior motivadora: dar a luz minha filha e ouvi-la chorar, só assim saberia que tinha feito um bom trabalho e que ela estava bem.
Meu marido olhava para mim, olhava ela enquanto nascia, e quando ela saiu completamente, ele me disse sorrindo: “Nasceu”. Às 08:15 hs do dia 25 de Abril de 2007, com 4 quilos e 52 cms.
Ouvi ela chorar! E serio, respirei tranquilamente extasiada pela primeira vez nesse dia, mas para mim parecia que estava respirando tranquilamente pela primeira vez em meses J
Depois de tudo isso só me restava expulsar a placenta, que
foi muito rápido e nem senti, depois veio a costura do “cortinho”.
Mas para ver novamente minha filha foi outro sacrilégio, me
deixaram abandonada em uma sala esperando a acomodação de um leito, eu estava
sozinha, sem ninguém, não sabia onde minha filha estava nem com quem, ESTAVA
COMPLETAMENTE SOZINHA, momentos que não desejo a ninguém, minha filha tinha que
estar comigo, minha filha tinha que mamar, eu estava exausta, com muita sonolência
e entre uma cochilada e outra comecei a ver meus peitos “vazando”, quanta
ansiedade Meu Deus! Estavam me arrancando meu momento com minha filha, eu queria, e era do meu direito que minha filha mamasse antes de qualquer coisa!
Para finalizar de forma rápida, fui para o quarto, com dor por causa do “bendito (coloquei um antônimo para não colocar o adjetivo que eu colocaria de verdade) corte”, depois de muito pedir, e de me estressar e pedir exigindo, trouxeram minha filha!!! UFA!!!!!!
Estive com ela dentro de mim durante nove meses e, as primeiras horas dela me foram tiradas assim, de qualquer forma, com ou sem qualquer direito hábil, sei lá, talvez porque se crê que todas passam por isso, talvez porque se crê que há um protocolo a ser seguido e como é assim com todo mundo, deve estar certo.
É por mais estes motivos que resolvi averiguar, pesquisar um jeito mais humano, um jeito mais seguro. SIM! Mais seguro, que assegure meus direitos e meus desejos como mãe, como parturiente, estou dando a luz aquela vida uma única vez na vida, é comum para os médicos e hospitais, mas para mim é uma única vez, e para minha filha existiu só um único parto, é obvio não é mesmo? Ela nasceu uma única vez!!!!
Como foi seu parto? Foi normal/natural ou cesárea? Você
conhece alguém que fez parto domiciliar? Conte-me, me ajude nesta pesquisa.
Grande beijo ;)
Vanesa.
vanesa@anjostore.com.br

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